Cupins, também chamados de térmitas, formigas brancas, siriris ou aleluias, são insetos de metamorfose incompleta reunidos na ordem Isoptera.

Há cerca de 2.750 espécies no mundo, distribuída principalmente em regiões tropicais e subtropicais, com algumas espécies em lugares de clima temperado e outras em regiões desérticas.

Dados na literatura indicam que é relativamente pequena a proporção das espécies consideradas como pragas em relação ao número total de espécies de cupins de uma determinada região.

Cupins, formigas, algumas abelhas e algumas vespas, são chamados de eussociais ou verdadeiramente sociais por apresentarem as seguintes características:

cuidado cooperativo com a prole: os ovos e os jovens são cuidados pelos irmãos mais velhos;
casta reprodutiva (alados, rei e rainha) ao mesmo tempo que há castas estéreis (operários e soldados);
sobreposição de gerações, no caso dos cupins, pais (rei e rainha) e filhos (operários e soldados) convivem numa mesma colônia.

soldado operário
Às vezes os cupins são confundidos com formigas pelos leigos, mas na verdade, como estes insetos são sociais, têm em comum vários comportamentos e adaptações decorrentes deste fato, mas não são “parentes próximos”, sendo também morfologicamente diferentes.

A Revoada

Uma colônia madura produz alados que serão os futuros reis e rainhas, fundadores de novas colônias depois das revoadas.

A revoada é conhecida pelo público em geral, principalmente na primavera e no verão (no início da estação das chuvas) quando há verdadeiras nuvens de cupins (então chamados de siriris ou aleluias) voando em torno de pontos luminosos. Este fenômeno é essencialmente sazonal, relacionado com as variações climáticas da região, principalmente calor e umidade relativa do ar. Outros fatores ambientais também podem influenciar, tais como, a época (ou a hora) da revoada, como luz, vento, pressão atmosférica, condições elétricas da atmosfera, entre outros. E difícil saber a real influência destes últimos fatores, por serem facilmente mascarados pelos mais óbvios. Há espécies que voam à tardinha, outras à noite, etc. Geralmente, colônias da mesma espécie em um mesmo lugar revoam no mesmo dia e hora. Pode ocorrer êxodo de alados durante vários dias seguidos.

É durante a revoada que os pares se formam, seja no vôo ou no solo. Já no solo, ocorre a perda das asas e o par inicia um comportamento chamado de “tandem” quando um segue o outro tocando-o no final do abdome, com antenas e palpos. O casal começa então a procurar um local favorável (que depende da espécie em questão), para iniciar um novo ninho — a fundação propriamente dita. Aí estabelecidos, ocorre a primeira cópula. O casal deverá ficar junto até o final da vida, mas pode ocorrer substituição, em caso de morte de um deles. E importante frisar que podem ocorrer muitas variações nessa frequência, de acordo com a espécie, mas este é o padrão mais geral.

Importância ecológica

Todos sabem da importância dos cupins enquanto pragas, porém a maioria desconhece sua importância ecológica. Nos ecossistemas tropicais, desde áreas de vegetação aberta como o cerrado (sensu strictu) até as florestas tropicais úmidas, os cupins têm um papel importantíssimo e ainda pouco estudado em nossa região. Junto com as formigas, constituem enorme parte da biomassa nestes ecossistemas, funcionando como consumidores primários e decompositores.

Como decompositores, reciclam os nutrientes alocados nas plantas mortas e seus túneis nestes materiais, propiciam a entrada de fungos e de outros microrganismos, acelerando o processo de decomposição.

Através das atividades de construção de ninho e/ou galerias junto ao solo, acabam sendo responsáveis pela distribuição de vários nutrientes. Outras propriedades dos solos também são alteradas pela atividade dos cupins, que podem mesmo ter um papel semelhante ao das minhocas, na aeração do solo.

Trabalhos a partir dos anos 70 têm mostrado que simbiontes intestinais dos cupins fixam nitrogênio em quantidades razoáveis.

Como consumidores primários, são fonte alimentar para vários animais, como formigas e outros artrópodes, peixes, anfíbios, lagartos, aves e mamíferos.

Na Amazônia, várias tribos indígenas utilizam cupins como parte de sua alimentação, bem como vários povos da África.

Os cupins atacam apenas as construções velhas? . Não. A afirmação “cupim é praga de casa velha” não é verdadeira. É comum a infestação por cupins em casas e edifícios com apenas 1-2 anos. Essa infestação pode ser decorrente  do abandono de madeira ou raízes sob a construção, ou de infestações provenientes de “focos” (ninhos) localizados em árvores na calçada da casa.

Qual a madeira preferida pelos cupins? . Qualquer tipo de madeira, seja ela maciça, compensado ou aglomerado.

Cupins e formigas são a mesma coisa?

. Não. Às vezes os cupins são confundidos com formigas pelos leigos. Como insetos sociais, cupins e formigas têm em comum vários comportamentos e adaptações decorrentes deste fato. Mas, na verdade, não são “parentes próximos” e apresentam diferenças de forma. Por exemplo:— Presença de “cintura” nas formigas e ausência de cintura nos cupins.

— Antenas em “cotovelo” nas formigas e antenas retas nos cupins.

    Uma diferença interessante em termos de comportamento:

Entre os cupins, o macho (rei) permanece com a fêmea-rainha depois da revoada, auxilia na construção inicial do ninho e a fertiliza várias vezes enquanto a colônia se desenvolve.

Entre as formigas, o(s) macho(s) fecunda(m) durante o voo nupcial e morre(m) em seguida.


Tenho um pozinho no meu móvel. É cupim?

(A) pó de cupim (B) pó de broca

. Nem sempre. Existem outros insetos que se alimentam de madeira e deixam resíduos em forma de pó.

O famoso “pó de cupim” é constituído por resíduos fecais expelidos pelos cupins. É um pó de formato granuloso típico dos cupins de madeira seca e não deve ser confundido com o pó finíssimo, parecendo talco, expelido pelos insetos chamados popularmente de “brocas”.


Broca e cupim são a mesma coisa? . Não. Embora também sejam insetos xilófagos, ou seja, insetos que se alimentam de madeira, as “brocas” pertencem às espécies de besouros.

Aquelas “formigas brancas” aqueles vermezinhos que eu vi andando no batente da porta são cupins? . Provavelmente, sim.cupinnotunel.jpg (4731 bytes)

Cupim come concreto? Derruba prédio? . Não. Os cupins se alimentam de materiais celulósicos e lignocelulósicos sob diferentes formas: madeira viva ou morta, gramíneas, raízes, sementes, fezes de herbívoros, húmus, manufaturados (por exemplo, espuma sintética de colchões), etc.

Aleluias ou siriris são cupins?

 

. Sim. As aleluias ou siriris formam as revoadas que aparecem principalmente na primavera e no verão, no início da estação das chuvas.Essas “verdadeiras nuvens” que às vezes vemos voando em torno de pontos luminosos são formadas por cupins alados que  fundarão novas colônias depois da revoada. É durante a revoada que se formam os pares. A perda de asas ocorre depois, já no solo, quando o casal inicia comportamento característico de preparo para a  reprodução. Passa, em seguida, a procurar um local favorável para iniciar um novo ninho.

De onde vêm os cupins? . Depende do tipo (espécie) de cupim. Os cupins “subterrâneos” podem vir de árvores, jardins e até de construções vizinhas. Os cupins de madeira seca, são normalmente provenientes de móveis e outros objetos de madeira presentes no local ou nas vizinhanças. É bom lembrar que todas as espécies podem vir através das revoadas.

Tenho um móvel com cupins! O que devo fazer? . Tente tratá-lo.   Para aplicações em madeira, devem ser obrigatoriamente usados inseticidas que vêm diluídos em derivados de petróleo tais como querosene, varsol, tiner, e outros . Podem ser aplicados através de pincelamento, pulverização, injeção ou imersão.A utilização apenas do querosene em focos pequenos de cupim de madeira seca não resolve o problema por  muito tempo, visto que o querosene não possui efeito residual. Devem ser usados produtos (inseticidas fosforados ou piretróides) que permanecerão por um  tempo determinado na madeira.

Ao identificar um móvel ou peça infestada por cupins, não a transporte para outra residência, casa de campo ou de praia, como muitas vezes ocorre. Não jogue em terrenos baldios ou nas ruas, nem faça doação da mesma. Se precisar se desfazer da peça, trate-a com os inseticidas adequados, a fim de evitar que  a praga se propague.


A árvore em frente de casa tem cupim! Devo cortá-la?

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. Não. Para o corte de qualquer árvore urbana, deve-se ter a autorização da Prefeitura de sua cidade. Muitas vezes o tratamento de uma árvore é possível e deve ser realizado, desde que seja feito com autorização e por técnicos especializados, com experiência na identificação das espécies xilófagas e conhecimento da sua biologia e comportamento. O uso de inseticidas domissanitários deve ser criterioso, respeitando as normas de segurança, para não haver contaminação ambiental e intoxicação de pessoas e animais, nem a morte da árvore devido a fitoxicidade do produto utilizados«(Dano em árvore realizado por Heterotermes sp.)

Como saber se o cupim que tenho em casa é subterrâneo ou é de madeira seca? . Geralmente cupins subterrâneos deixam “túneis”, verdadeiros caminhos nas paredes, em estruturas de madeira (batentes, rodapés, etc), e junto a tomadas elétricas. Os cupins de madeira seca normalmente deixam resíduos (pó granulado) junto as peças atacadas por eles.

Contratei uma firma para acabar com os cupins. Devo saber que produto eles usam? . Sim. Procure conhecer o nome comercial do produto químico a ser utilizado no serviço e somente permita sua utilização se este apresentar em seu rótulo o número do registro junto ao Ministério da Saúde (DISAD). Duvide de empresas que se recusam a apresentar o nome comercial do produto químico utilizado, alegando que isso é segredo profissional ou fórmula exclusiva.